27 de fevereiro de 2011

ONDE DEUS ESTÁ

Por: Márcio Ventura


Interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, Jesus lhes respondeu: Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós. A seguir, dirigiu-se aos discípulos: Virá o tempo em que desejareis ver um dos dias do Filho do Homem e não o vereis. E vos dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Não vades nem os sigais; porque assim como o relâmpago, fuzilando, brilha de uma à outra extremidade do céu, assim será, no seu dia, o Filho do Homem. (…) Então, lhe perguntaram: Onde será isso, Senhor? Respondeu-lhes: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão também os abutres. (Lc 17:20-24;37)

A cultura judaica foi construída durante milênios aprendendo a valorizar e reverenciar lugares considerados especiais. Jacó teve um sonho em certo lugar pouco importante; acordou estarrecido ao constatar que Deus estivera ali e, por isso, passou a temer o lugar, batizando-o de Casa de Deus e porta dos céus - Betel (Gn 28:16-17). Em 2Cr 6 verificamos que os israelitas reverenciavam Jerusalém e oravam voltados para ela (tal qual os muçulmanos fazem, voltados para Meca). Nessa passagem, Salomão termina sua oração pedindo que o Senhor esteja atento à oração que se fizer daquele lugar.
Josué recebeu mensagem de um anjo, comandante do exército do Senhor, que lhe mandava tirar as sandálias, porque o lugar em que pisava era santo (Js 5:15). Muitos e muitos anos depois, Paulo foi acusado por fariseus radicais de proferir ensinos contra o povo e contra a lei. Poderiam parar por aí, mas Paulo foi acusado também de profanar o “santo lugar”, o templo (At 21:28). Foi preso e brutalmente hostilizado por isso. Estevão foi morto por ter falado contra um lugar.

Jesus batalhou para desfazer esse paradigma. Na Nova Aliança, iminente, a ênfase não deveria estar mais em lugares. Pois bem, em Lc 17:20-24, Jesus ensinou que os discípulos deveriam ignorar mensagens que sugerissem que o reino de Deus e a manifestação de sua glória estivessem aqui ou ali. Em outra ocasião combateu a ideia de “lugar especial” afirmando que não importa o lugar, Deus procura quem o adora em espírito e em verdade – Jo 4:23 (Que libertação espetacular!). Jesus jamais chamou alguém para ir a algum lugar, jamais apontou este ou aquele lugar como preferenciais. Ele convidava as pessoas apenas a segui-lo; para relacionar. A ênfase agora se transporta para a relação entre as pessoas e Deus, sem atravessadores, em qualquer lugar, em qualquer circunstância. Jesus advertiu os discípulos que chegaria o dia – e há muito já chegou – em que as pessoas buscariam lugares para “vê-lo” e não faltariam setas apontando: “Ele está aqui” ou “Ele está ali”. Não os sigais – disse o Mestre – porque o reino de Deus está dentro de vós.Infelizmente, os apóstolos, confusos, em Lc 17:37 ainda perguntavam “onde”, “onde”, “onde”…, perfilados com um entendimento engessado pela tradição, de associar Deus a um lugar. Ora, não importa o “onde”. A pergunta estava errada. Jesus estava ensinando o “quando” e não o “onde”. Jesus então respondeu, aparentemente indignado com tanta obscuridade de entendimento, que onde estiverem os cadáveres aí estarão os abutres. Essa resposta [quase] anacrônica deixa no ar o clima fétido, cadavérico, que a ideia de lugar passou a transmitir. Quem procura lugares para “ver” Deus ainda não compreendeu que Deus criou a greografia e não se limita a ela. Quem convida “venha sentir a presença de Deus aqui” atrai muitas pessoas, mas inevitavelmente também atrai abutres (Desculpe. A metáfora é de Jesus, não minha).

Precisamos entender que não há mais espaço para a ideia de lugar especial. O anticristo, quando se estabelecer, se fixará num lugar e atrairá muitos, e quem estiver preso a esses conceitos falidos provavelmente o seguirá. Esse pensamento não se sustenta mais. É preciso olhar para dentro de nós mesmos, pois “o reino de Deus está dentro de nós”. A nação santa, sacerdócio real, povo adquirido de Deus, congrega, relaciona, compartilha, influencia, não se aliena, inclui, abraça, não gira em torno de “pessoas especiais”, não firma fronteiras geográficas, não disputa território (exceto nas regiões celestiais), não venera tradições mortas, não cultiva poder terreno (Aliás, ela sabe que nem sequer o tem. O único poder que os filhos de Deus têm é espiritual e foi outorgado por Jesus, e é isso que realmente conta).

Mesmo imprimindo tanta clareza em seu discurso, suspeito que essa mensagem tenha chegado a nós, depois de séculos, ainda mal compreendida – mas não totalmente – e isso se constata pelo que lamentavelmente ainda ocorre.

Sei que, depois de lerem isso, muitos vão ficar enfurecidos comigo. Preferirão se alinhar aos que recolhem milhões de dólares de pessoas ingênuas para construir lugares apoteóticos com slogans tipo “Venham para cá. Deus está aqui”, fortalecendo seus feudos, seus impérios terrenos (não generalizo).

Mas, por outro lado, finalmente, sei que outros muitos entenderão.
--

2 comentários:

Selbia Regina disse...

Que bom conhecer seu blogger,li com atenção o assunto que foi postado,e sentí algo muito edificante para minha vida,busco Deus,com todo meu amor,apesar de saber que Ele está em mim.Hoje não congrego em igreja nenhuma,as vezes sinto falta do contato com outros irmãos,pois sei o quanto é necessário esse convívio,mais creio que Deus,me conduzirá pois Nele confio,ou seja já está me conduzindo,permitindo-me conhecer pessoas abençoadas como voce,vou sempre acompanhar suas postagens.Que Nosso Amado Deus e |Nosso Amado Jesus Cristo nos abençoe.Fique na paz irmã.

NILZA COUTINHO disse...

Amém,amada irmã.

Toda honra e glória é para Aquele que opera em nós, o nosso Senhor e Savador. Glória a Deus!

Está escrito: "Buscareis e me achareis, quando me buscar de todo o vosso coração," Essa é a condição, irma, para encontrar o nosso Deus. Por isso continue a sua jornada, nessa busca com amor, e, certamente, Ele se manifestará em sua vida.
Que o Senhor te proteja e te conduza nessa Caminhada!

Em Cristo,a Verdade que liberta e no amor nunca Falha.